quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Poeira

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Legião Urbana

A poeira se acumula em toda a casa, meu quarto está uma bagunça. 

Sempre aprendi que o exterior reflete o que há no interior das pessoas... No fundo, acho que há um pouco de razão nisso.
Os livros se empilham, as listas de estudos se multiplicam, nunca diminuem. Há, de certo modo, uma tentativa de se justificar a tamanha desordem ao meu redor por causa das leituras a fazer, do trabalho a realizar: uma tentativa frustrada de se conferir utilidade à mente, já que o coração - jogado às traças - espera vacilante que as coisas aconteçam lá do outro lado.
A ansiedade bate à porta, a dieta escorre pelos ralos, os kilos estragam as fotos e pedem roupas mais confortáveis. As dores nas costas aumentam e a apatia também... Tudo outra vez.
Me pergunto a respeito dos ídolos do meu próprio coração, há quanto tempo estão ali e por quanto tempo ficarão. Não vejo outro motivo para que tudo esteja como está, senão a minha própria incapacidade de me sentir plena e unicamente satisfeita no Senhor.
Quão profundo e enganoso é o meu próprio coração... Mesmo olhando fixamente para ele por horas, meses e anos, ainda sou surpreendida em suas sabotagens. Eu nunca me conhecerei o bastante para ser protegida de mim mesma.
Eu preciso de um Salvador... Mas quem é que não precisa?!

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