quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sobre os amores que eu perdi (ou não)


Eu costumo contar à maioria dos meus amigos as desilusões épicas da minha vida amorosa. Alguns deles gostam tanto da forma e detalhes que dizem que minha vida deveria virar uma novela... Mexicana, creio eu. (risos) Mas hoje, refletindo sobre minha própria história, eu - de repente - fui levada a pensar que talvez eu não tenha perdido tanto assim. E é, exatamente, porque eu não quero esquecer essa perspectiva que eu escrevo sobre ela aqui... Eu não quero me esquecer da paz que me inundou quanto a esse assunto.
Vamos lá! Façamos uma breve retrospectiva (sem citar nomes, para evitar o vexame)...

Antes de minha conversão aos 17 anos
Eu era apenas uma menina.
Foram os anos que mais fiz amizades relevantes na vida, amigos tais que eu trago até hoje comigo... Talvez, eu não os teria se tivesse perdendo tempo namorando qualquer um.
Além disso, na primeira fase da adolescência, minhas paixões eram totalmente platônicas e eu sequer sofria por elas. Fase gostosa! Esperava o garoto charmoso passar em frente à minha janela, sonhava em reencontrar com o amor das férias, vivia paquerando via MSN o primo da amiga, fugia do "namoradinho" do bairro só por medo de a minha mãe descobrir... hahaha Não dá pra dizer que foi uma fase ruim.
Já na segunda fase da adolescência (após meus 15 anos), eu - de fato - perdi algumas oportunidades... Como aquele amigo que me ligava às 3h da manhã e eu nem me importava, que me irritava e eu gostava, mas que não cria em Deus e tinha certa aversão à religiosidade. Eu, já às vésperas da minha conversão, quis evitar sofrimento e desgaste rejeitando o pedido de namoro. Essa talvez tenha sido minha primeira renúncia por Cristo, primeira escolha pela  minha comunhão com o Eterno ao invés dos prazeres deste mundo.
Eu não me envergonho dessa escolha... Claro que eu me pergunto se ele não teria se convertido, se eu não teria apenas ganhado boas experiências com isso, sem nada a perder, mesmo que não desse certo. Bom, eu nunca vou saber! E, mesmo assim, eu não me arrependo.
Depois, teve dois caras lerdos demais pra tomar alguma atitude mesmo sabendo que eu tava super afim. O primeiro é indesculpável, diante do fato de que eu fiz tudo o que pude. Com o segundo, eu fui mais lerda, é verdade... Fiquei com medo, pensando se eu não tava doida em achar que um cara legal daquele tava mesmo me dando mole. Perdi o time... Pena.
Mas, sabe, quando eu penso nos garotos que surgiram antes da minha conversão, eu penso que Deus me guardou de ter relacionamentos destrutivos. Não por me livrar das outras pessoas, mas por me livrar de mim mesma... Ao longo do meu relacionamento com Cristo eu fui curada de feridas que eu jamais supus que eu tivesse, mas que estavam ali o tempo todo. 

Depois da minha conversão aos 17 anos
Eu me lembro de ter chegado à igreja louca para encontrar alguém... Me lembro de pensar que Deus tinha alguém predestinado para mim, e que misticamente - em meio a profetadas e orações poderosas - eu iria descobrir quem era. Coisa de neófito.
Me apaixonei pelo ministro de louvor... Que previsível!! hahahahaha Só por aí já dá pra saber no que deu. Obviamente que eu não era correspondida: era loucura de nova convertida. Quem nunca viveu isso que atire a primeira pedra! hahahahahahaha (só rindo pra esquecer o vexame)
Tive alguns risíveis amores na faculdade, um mais marcante do que os outros. Por esse eu chorei, mas pela segunda vez escolhi pelo amor do Eterno... Ele era cético quanto a Deus, e eu não poderia viver uma vida de louvor e santidade ao seu lado. Ele estava se formando, e - de qualquer forma - seria um envolvimento passageiro... Não trocaria o certo pelo duvidoso, nem o eterno pelo efêmero diante disso.
Me interessei por um amigo cristão de uma cidade próxima, e esse eu nunca entendi porquê não deu certo. Sério. hahahaha Mas não deu... Alguns anos depois, antes mesmo de eu me formar, vi que ele não era tão entregue a Deus quanto eu pensei que fosse. Talvez essa seja a minha melhor explicação: Que Deus me livrou do lado dele que eu não conhecia.
Aí teve aquela "pedra no sapato", aquele amor que durou 3, 4, 5 anos... E, mesmo sem querer, ainda hoje eu sonho/tenho pesadelos com ele. Idiota fui eu, que gostei de quem nunca gostou de mim. Não dá pra me justificar: Foi burrice mesmo.
Mas eu não posso negar que, por causa dessa paixão, eu me guardei durante a faculdade... Deus, em sua sabedoria, usou minha vida para interceder por ele, para sua conversão verdadeira, para sua proteção e alento, e eu sei que minhas orações não foram vãs. Usou essa paixão aparentemente inútil para me guardar de me envolver emocional e fisicamente com outros garotos que me levariam mais facilmente a pecar. Apesar de não ser um cristão exemplar, este -  ao menos -  me respeitava.
Entre aqueles que se interessaram por mim, houveram alguns... Nenhum deles eu correspondi.
O primeiro, me levou pra sair inúmeras vezes, cheguei a orar para Deus me ajudar a discernir quem era ele e se deveria investir no relacionamento. Descobri que ele não tinha condições de me liderar espiritualmente, que tinha um caráter duvidoso e, sinceramente, eu não conseguia me apaixonar de verdade por ele.
O segundo, apesar de parecer ser homem de Deus, escondia algo. Sabe aquele cara que quer ser perfeito? Morava em outra cidade, e eu demoraria um bom tempo para descobrir no que estava me metendo... Ao menos o sotaque dele ao telefone era gostoso de ouvir, disso eu gostava.
O terceiro e quarto, eram igualmente meus amigos, servos de Deus como eu não poderia por defeitos... Mas eu não consegui me envolver, simples assim. Faltava atração por um, atitudes do outro, e maturidade de minha parte.

Seja como for, recontar minhas desilusões amorosas me levam a pensar que, estatisticamente, ao contrário do que minha baixa auto estima diz, mais da metade das pessoas por quem eu me interessei, também corresponderam de alguma forma... Eu não sou tão desinteressante assim, nem tão pouco desejada como às vezes chego a pensar.
Além disso, mesmo desejando estar com essas pessoas, esses relacionamentos não foram adiante porque de alguma forma me separavam de uma vida totalmente entregue a Deus, e eu deliberadamente decidi não seguir adiante... Quanto aos homens de Deus que eu considerei a possibilidade de me relacionar, eu só posso atribuir à soberania Dele a ausência de sentimentos de minha parte. Só Ele sabe o quanto eu quis que desse certo, e o porquê nunca consegui.

Eu só posso concluir que, como eu sempre quis, o meu coração tem Um só dono, Um só Senhor... Eu demorei a perceber, mas é essa paz de pertencer que eu quero manter intacta. Não a dor de ser rejeitada, nem a frieza do meu próprio coração, mas o calor que o amor de Deus me trouxe todas as vezes que eu disse "não", me lembrando que eu ainda estou só, não por não ser amada por alguém, mas porque Ele tem planos melhores do que os meus.

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